terça-feira, 17 de julho de 2012

Minha volta




Voltei pra você
Estou aqui, entregue às linhas
Como todo bom escritor deve fazer

E, para este reencontro
Que tal brindar a saudade 
com aquela bebida azul que pega fogo curaçao?
Loucas lembranças, não?!

Então, sente-se
Gosto de Novos Baianos na vitrola
Mas, se preferir, posso fazer Nila Branco na viola

Agora que já estamos acomodados
Só um minutinho
Alô? Está precisando de mim aí?!
Oi. Desculpe. Terei de sair

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Talvez, ao seu alcance



Antes de começar a ler, dê um play para acompanhar a leitura 

Estou indo por aí aqui
E, não. Não darei meia volta.
Te encontrei há alguns quarteirões
Mas, lembre-se que passei
E vc?! Ah, você achou que assim seria melhor 
Porque eu não acompanharia seu ritmo ou vice-versa

Sei que se pudesse, gritaria meu nome
Mas, para calmaria
inventaram o telefone
Diminuiu-se o grito
Mas, não a distância

No entanto, acalme-se mais
Olhei pra trás
Não volto
Mas, quem sabe 
numa dessas curvas fechadas da vida 
Você não me alcança?!

Pés

Ilustração: pés da minha sobrinha. A pequena Manuella

Os mesmos pés
 Mas, passos diferentes
Menos firmes, pretenciosos
Porém, mais cautelosos,
 inseguros

 Resultado de passos em falso
que o fizeram tropeçar, cair
E deixaram fincadas,
 pegadas bem definidas
 do tamanho que a dor
 pode deixar pelo caminho

Mas, que só são notadas
quando olhamos pra trás.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Liquidificador: os nomes das músicas de Pélico + meus pensamentos



Talvez, até seja um Pretexto pra fazer a Última Canção. Mas, Naquela Casa, O Menino me disse que Não Éramos Tão Assim Sem Medida. E, na verdade, acho  que não gosto de Me Prender, de estar Sob Controle e passei a não me sentir mais um cara Completo, mas sim, apenas um Fulano pra você.

O Estribilho de nossa canção passou a ser “Vamos Tentar” e eu a apelar ao Senhor do Meu Fim que me desse nada mais do que Sete Minutos de Solidão. Enquanto ele me dizia: Tenha Fé, Meu Bem.

Se Você Me Perguntar. Eu preferiria mesmo o Tempo de Criança em que eu era rodeado de Gente Fina Firmeza. Mas, se nada disser ou quiser saber e preferir um “E Daí”, apenas peço Que Isso Fique Entre Nós. O Recado está dado.  

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Liquidificador com as músicas de Marcelo Camelo



Por isso, vamos Passeando,  Mais Tarde tem O Casamento de Romeu e Julieta e até podemos levar Téo e a Gaivota.

Bem que ela [Julieta] poderia estar vestida como uma Menina Bordada. Será a Despedida da Liberdade. Terão de se Acostumar. Pois logo serão Dois Em Um e darão adeus à Doce Solidão e o bem-vindo à Vida Doce que os aguarda. E assim será: A Noite Janta pra o Cara Valente que Do Lado De Dentro fica Carinhoso.

Mas na cerimônia, o triste mesmo foi ver a Santa Chuva  se misturar com as lágrimas que escorriam do Vermelho dos Teus Olhos que já antecipava a Saudade que ia sentir. Era  A Outra, que já de partida pra Copacabana foi ver um Bom Dia amanhecer... Era  a própria Anna Júlia, que Mais Uma Canção foi fazer.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que não ficará entre nós [tudo o que rolou na entrevista com Pélico]



Foi logo depois do 11/11/11 e do mundo mais uma vez não ter acabado, é claro. A entrevista, que durou apenas uma hora, deixou a certeza de que o entrevistado era, fatalmente, uma daquelas insaciáveis fontes que desenrolaria horas e horas a fio de muita conversa.

Entre um cigarro e outro, contas matemáticas sobre o tempo que se foi e algumas gargalhadas, inclusive sobre o tal EP renegado, Pélico falou do início de sua carreira, de suas inspirações, composições e da mistura que surgiu seu som, além dos lugares que ainda pretende desbravar.

PS.: Aguardem a matéria sobre essa talentosa figura.

domingo, 16 de outubro de 2011

Como linha de tricô



Então tá...
Bloqueou a estrada que me levava até você.
Dei meia volta e segui por onde acreditei que encontraria o que me fizesse bem.
Sobrevive. Gostei do que encontrei.
Distrai-me, mas percebi que de algum modo ainda permanece aqui.
Mesmo sem eu querer...
Mesmo sem você merecer.
Situação delicada: esquecer o que parte ainda não se desligou.

Queria ter coisas boas pra falar, como das brincadeiras debaixo do chuveiro.
Sinto só um pouquinho de saudade, mas o tempo todo.
Então, me diz se já não é maldade?

Anda, vai logo. Pegue um casaco.
Porque sabe que de moto quase sempre o tempo todo faz frio
E vamos fazer como naquele dia em que tudo era graça
Até mesmo nos perdemos no caminho de volta para a sua casa.

A diferença é que quando nos perdemos separadamente a distância machuca.
Então deixa disso vai.
Deixa de ser marruda.
Porque desde sempre percebi que sua razão não tinha razão de nada.
Nem mesmo de me empurrar para fora de sua estrada.

Então por que não me conta se está feliz?
Porque só assim saberei que fez a melhor escolha pra você.
E isso me ajudará a permanecer seguindo, sem interferir em seu caminho.

Estou tentando, mas não estou conseguindo achar a sequência de notas que soe o que estou sentindo.
Será melancolia demais? Ou apenas uma falta sem sentido que você me faz?

Melhor ir dormir. Porque não consigo escrever nada além disso.
Até começo com uma ideia alegre.
Mas, se falo de sorvete, ele derrete antes de eu consumi-lo.
Se falo de um dia de sol, a tarde termina em tempestade.

Meus pensamentos estão em declínio.
Sonhei com você de novo e passo o dia inteiro me perguntando o porquê.
Vou dormir sem resposta. E ao acordar percebo que a encontrei em sonho novamente.
Tormento, tormento, tormento
Encontrá-la assim, sem explicação.

Você não se foi do mesmo modo como chegou.
Achei que fomos traçando algo como uma linha de tricô, na confecção de um casaco.
Na verdade foi isso mesmo.
Uma linha que você puxou, a enrolou novamente e devolveu ao cesto.